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13
mai
09

Tirando doce de criança

Nostalgic-Candy-Gift-BasketLembra daquela sensação que dava quando sua mãe mostrava aquele pudim enorme e dizia que você só iria comer depois do almoço? É o famoso “tirar doce da boca de criança”. Maldade pura (e quem faz vai direto pro inferno sem escalas)! Mas é assim mesmo que a gente se sente quando sua fonte fala, fala e fala (até pelos tornozelos, porque os cotovelos já não são suficientes) e depois do ponto final diz: “Mas por favor não coloque isso que eu disse não…”. Como assim? Jornalista trabalha com informação e gosta de novidade!!! Tirar isso dele é mesmo que arrancar um pirulito da boca de um neném… Aconteceu isso comigo hoje. Ainda bem que tem sempre tem o off – do inglês “off record” – que salva (mas que, infelizmente, não tem o mesmo peso de uma declaração aberta)! Os dados, o cenário, a análise ficou. Porém, por mais crebilidade que você tenha junto ao leitor, usar o que “uma fonte ligada ao setor disse” cheira mais a especulação. Fazer o que, né? Ainda na linha dos motes populares: mais vale um pássaro na mão…
Para complementar: Lembrei de um post antigo do blog Novo em Folha onde a jornalista Ana Estela fala sobre o uso do off. E lembra: off só existe antes. O entrevistado tem que pedir sigilo antes de bombardear o repórter com informações. Infelizmente, a gente não pode contar com o bom senso de todos. E aí tem que ter jogo de cintura mesmo para conseguir que alguns detalhes fiquem “on”. Segue o link:

Off, dúvida e atitude

11
mai
09

dicas de comunicação integrada

A jornalista Luzi Rocha descobriu o Repórter Todo Dia (espero que vire leitora assídua! hehehehe) e manda – diretamente das bandas do Sudeste – algumas sugestões de blogs e sites sobre Comunicação Integrada. “Quem se interessar sobre Comunicação Interna e Empresarial/Corporativa irá gostar das dicas”, diz Luzi. Aí estão eles:

Aproveito também para deixar a sugestão para acessarem o blog da própria Luzi: Tudo e Nada ao Mesmo Tempo. Não é sobre Comunicação corporativa, mas (como o próprio nome diz) tem de tudo um pouco.

11
fev
09

Nos mínimos detalhes

Eis um bom exemplo de como algumas notícias precisam ser bem explicadas já no próprio lead sob o risco de perdermos o interesse do leitor ou mesmo ser mal interpretados. Foi divulgado pela Folha Online, há pouco:

As vendas do setor de papelão ondulado, considerado a embalagem das embalagens e por isso um termômetro do aquecimento do comércio, foram de 164,5 mil toneladas em janeiro, crescimento de 4,7% em relação a dezembro (157,1 mil toneladas), mas queda de 8,3% em relação a janeiro de 2008 (179,4 mil toneladas).

É interessante observar como o repórter foi objetivo e preciso ao explicar porque o papelão ondulado é tão relevante para alguma análise econômica.

30
jan
09

E a reforma ortográfica?

reforma-ortografica

Passou-se um mês de que a reforma ortográfica da Língua Portuguesa está em vigor e as minhas dúvidas (e as de todos aqui na redação) permanecem. Não tem agora um que não pare, olhe e pense diante dos hífens. O trema é fácil de excluir. O acento dos ditongos abertos (jiboia, ideia, plateia, assembleia, etc) também é fácil de aprender embora me soe visualmente esquisito. Mas para quem tem a língua como uma das principais ferramentas, absorver as novas regras é difícil (embora seja quase obrigatório já que o jornal já adotou a reforma). Tudo porque estamos tão acostumados a escrever as palavras daquela forma que, na velocidade do digitar, os novos erros passam batido. A salvação chegou essa semana: o corretor ortográfico de nossos editores de texto foram atualizados dentro das novas regras. Pelo menos agora, se escrevermos algo fora das normas, ele acusa.

29
jan
09

Pautas em crise

graficoDeixo aqui uma angústia dos repórteres de Economia de todo o país. Desde setembro, quando se começou a falar na crise econômica mundial e seus efeitos não se consegue mais que nada tenha outra explicação para os problemas de qualquer setor: “são os reflexos da crise”. Resultado: as pautas de Economia – por mais criativas, aprofundadas e inovadoras que sejam – parecem cair sempre no lugar comum. Às vezes, me parece que o problema não está nem nos jornalistas, mas nos especialistas, empresários e outras fontes têm quase sempre a mesma explicação para o problema global.

17
dez
08

“transmimento” de “pensação”*?

Ontem fiz uma matéria com dados do IBGE, sobre a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios. Além de um extenso material com dezenas de tabelas, a assessoria local do órgão nos enviou um resumo com os destaques de números do Rio Grande do Norte. Como esta semana estamos só eu e meu editor (minha colega Emídia Felipe está no Rio de Janeiro cobrindo os leilões da ANP), resolvi me fixar nesses dados mais resumidos. Acabei destacando – sem perceber, claro – algo que já havia sido notícia do jornal no mês passado e… pimba! Ganhamos uma manchete repetida.

Vejam aqui os “títulos-gêmeos”:
Matéria de 17 de dezembro de 2008
Matéria de 15 de novembro de 2008

Antes que alguém atire a primeira pedra, nenhuma das matérias está errada (mas também não teria vergonha de colocar aqui se estivesse). Apenas existia um dado na pesquisa que era exatamente o mesmo que já havia sido destacado 30 dias antes no jornal. No primeiro parágrafo da minha matéria, havia informações novas sobre a participação de cinco municípios potiguares na composição do PIB, mas acabei destacando o número total por dar uma visão geral do estado ao leitor.

O título não é obrigação do repórter, mas aqui no jornal temos a liberdade de deixar uma sugestão para o editor. Por isso, fica a minha mea culpa. A Língua Portuguesa tem milhares de verbetes e as possibilidades de combiná-los de maneira inovadora é infinita. Às vezes, na necessidade de sermos objetivos (uma das características essenciais do jornalismo) acabamos partindo para soluções “práticas” demais. “PIB do RN cresce 4,8% em 2006″ é, talvez, a forma mais objetiva e clara de resumir o principal ponto da matéria, mas estava muito próxima do lugar comum. Do mesmo jeito que saiu repetido dentro do próprio jornal, poderia ter sido em um concorrente.

*”Transmimento” de “pensação” era a forma como um professor de História do 2º grau apelidava a famosa “cola”. Ele se divertia em colocar a mensagem junto das respostas fraudadas e esperar a pergunta dos alunos sobre o que significava aquele trocadilho.

29
nov
08

apurar é que é certo

Hoje aprendi um pouco mais sobre a necessidade de ser firme com a equipe que sai com você (fotógrafo e motorista). Não chega a ser uma regra, mas o repórter é meio que “chefe” do grupo que vai para a rua. É ele que – depois das orientações do chefe de reportagem – está responsável por decidir se o carro deve ir primeiro para um lugar ou outro, se uma foto é necessária ou não. Mas, pessoalmente, gosto de fazer as coisas em comum acordo, perguntar se o fotógrafo e motorista concordam.

Só que hoje tive que tomar uma decisão unilateral para não perder uma informação importante. Sendo sábado, a equipe está de plantão e eu estava com a ronda policial. Logo que saí de casa soube de uma tentativa de fuga na Delegacia de Plantão da Zona Sul* e, ao chegar na redação, apurei que também houve uma tentativa em uma carceragem provisória vizinha ao jornal e uma confusão no centro para adolescentes infratores. O problema deste segundo ponto é que eu não sabia exatamente onde ficava e o motorista também não sabia ao certo.

Me confiei no fotógrafo – que é extremamente experiente e competente -, mas não contava que ele ficaria fazendo corpo mole. O motorista foi duas vezes a lugares errados (onde pensávamos que fosse o centro de adolescentes) para só então o fotógrafo dizer que sabia onde era. Quando chegamos, os funcionários informaram que a confusão não tinha sido ali. Mas que havia a possibilidade de ser em outra unidade (já tínhamos inclusive passado por uma delas sem descer do carro).

Quando entramos no carro, o fotógrafo disse: “aqui não tem nada, então vamos embora para o jornal”. E aí eu tive que dizer: “de jeito nenhum! preciso ir lá e conferir se não houve nada mesmo”. Cara feia foi o que não faltou. Quando chegamos, provei que estava certo. Apesar dos funcionários não quererem falar, um deles foi soltando logo que tinham queimado um colchão à noite.  Percebeu a besteira que fez e não quis falar mais. Para o repórter atento, porém foi o princípio da matéria.

Já havia cometido dois erros. O primeiro é que eu deveria ter sido claro com o motorista e perguntado se ele sabia, com certeza, onde ficava o lugar. Por isso, perdemos tempo. O segundo foi confiar somente no fotógrafo que, com preguiça, não queria fazer nem o trabalho dele, quanto mais o meu. Neste caso, deveria ter ligado para a redação para me orientar sobre onde seria o local exato. Quando bati o pé para ir no lugar certo conferir, cumpri minha missão de repórter (e naturalmente curioso): ir ver de perto o que me contaram.

* Esse post está enorme, mas vale o comentário. Sempre faço ronda nos plantões de sábado e gosto muito. A Delegacia de Plantão da Zona Sul fica a cerca de duas quadras do meu apartamento. Então, sempre saio de casa mais cedo para apurar a informação mais quente, porque se deixar para ligar da redação a equipe de plantão já saiu e a que fica não sabe falar nada. Não faço isso só pelo jornal, se você perguntar. É minha necessidade de repórter, meu esforço pessoal para fazer um bom trabalho. Se não faço, sinto que deixei o trabalho incompleto.

28
nov
08

Cobertura em Santa Catarina

Acho o texto grande demais para um post do blog, mas não poderia deixar de reproduzir aqui esse material que está no site do Comunique-se. Como é só para cadastrados e nem todo mundo é (mas deveria ser. É de graça!) vou colocar aqui porque conta um depoimento muito interessante de um dos jornalistas que está cobrindo a enchente em Santa Catarina.

 Jornalista conta dificuldades da cobertura dos temporais em Santa Catarina

Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro

 
“Logo que chegamos, fomos para um abrigo e as histórias trágicas começaram a aparecer. A primeira foi a do Juliano. Ele contou que no momento do desabamento estava segurando a mulher com uma mão e a filha com a outra. Ele não aguentou e teve que soltar a mulher, mas aconteceu um outro desabamento que levou a filha também. Ele disse um frase que me chocou muito: ‘em um minuto eu perdi as duas’. Isso é o que a gente está cobrindo todos os dias. Acordo às 6h da manhã e vou dormir à 1h, ou mais tarde”.

Esse é o depoimento do jornalista Eduardo Nunomura, enviado especial de O Estado de S.Paulo para cobrir os temporais em Santa Catarina. Para fazer a informação chegar à casa do leitor, os repórteres se desdobram e vivem, junto com a população das cidades atingidas, as dificuldades causadas pela tragédia. Às vezes, sobrevivem, como foi o caso do fotógrafo que acompanha Nunomura, Filipe Araújo.

“O Filipe estava no morro do Baú (em Ilhota), lugar onde aconteceu o maior número de mortes em Santa Catarina, quando a terra cedeu. Ele estava a menos de 500 metros do desabamento. Ele teve que sair correndo. Foi caso de vida ou morte”, conta Nunomura.

Helicóptero resgata jornalista
O outro jornalista enviado pelo Estadão à Santa Catarina, Rodrigo Brancatelli, também passou por problemas. Ele teve que ser resgatado por um helicóptero da Marinha. Nunomura conta que ainda não conversou com Brancatelli, mas sabe que ele está bem.

As dificuldades da apuração
Além dos riscos, os jornalistas têm que se preocupar em dar a melhor história e fazer a melhor apuração possível. O tempo da matéria é diferente. O excesso de informações desencontradas acaba causando a desinformação, que pode induzir o jornalista ao erro.

“A gente tem que filtrar notícias, apurar muito bem. Tem que ser muito rápido. Tem que saber se a fonte é fidedigna ou não em minutos. Ontem, falaram que apareceram sete corpos no pé do morro do Baú. Eu não podia dar sem conferir. Eu precisava ver os corpos”.

“As pessoas da redação pensam só em publicar”
O receio de tomar um furo e as dificuldades de trabalhar também afetam a atividade do jornalista. Existem muitos fatos acontecendo em lugares diferentes e ao mesmo tempo. Nunomura conta que, às vezes, podem acontecer apostas erradas. Como exemplo, cita o caso do saque a um supermercado. “Quem poderia prever que um saque aconteceria? E saque não dá para correr atrás porque ele acontece naquele exato momento. Não adianta ir depois”.

“Existem situações como essas, que as pessoas da redação não têm noção do que está acontecendo e ficam pensando só em publicar. Nós, aqui, temos que colocar as nossas vidas em segurança em primeiro lugar. Exemplo é o caso da fotografia do Filipe. Não dá para pedir um ângulo melhor. Ele tinha que se preocupar com a vida dele”, comenta.

Problemas com celulares dificulta cobertura
Para realizar a cobertura, o Estadão enviou duas equipes, com repórter e fotógrafo, deslocou um freelancer para cobrir as informações oficiais e conta com o apoio da Agência RBS. A editora do caderno Metrópole, Viviane Kulczynski, diz que, mesmo com uma equipe grande, existem dificuldades.

“Os celulares não estão pegando direito. Em pleno século XXI temos que recorrer ao orelhão”, diz Viviane.

Fora todos essas dificuldades do fazer jornalístico, existe uma outra: a conversa com as pessoas.

“Uma coisa que é horrível de fazer, mas que a gente faz até sem querer, quase que automaticamente, é o hábito de perguntar se está tudo bem. Claro que não está nada bem”, conta Nunomura.

28
nov
08

postar é preciso

Quando me propus a colocar um blog na internet sabia que precisava mantê-lo sempre atualizado com uma certa freqüência. Porque blog é assim mesmo: exige tempo, dedicação, trabalho. É muito mais interativo do que escrever para um jornal. Tem gente que entra, lê, gosta da idéia, mas você nem sabe quem é. E mesmo assim a pessoa continua acompanhando. Outros vão além: comentam e estimulam o blogueiro a continuar. Este post é sobre isso mesmo. A necessidade de postar e sempre manter atualizado o meu blog. Como eu coloquei nas minhas primeiras palavras, a linguagem da internet ainda é nova para mim e o Repórter Todo Dia um exercício de iniciante na blogosfera. Dentro do tema, deixo uma frase do jornalista Juca Kfouri, que possui um blog de esportes, e deixa claro: “Eu sinto que meu blog exige mais de mim que qualquer outro veículo, mais que as grandes mídias”. Em tempo, ele é um dos palestrantes do Seminário de Jornalismo Esportivo que ocorrerá em São Paulo no dia 12 de dezembro, promovido pelo Comunique-se.

20
nov
08

o xis da questão

Depois de duas semanas meio “off” por causa das viagens para um caderno especial que está sendo produzido, estou de volta a Natal e ao acesso à internet. A Caixa de Entrada do e-mail tinha mais de 100 novas mensagens, uma prova de que quem aceita ser jornalista não pode se dar ao luxo de esquecer do mundo nem por um dia. Uma boa novidade, porém, é que fui selecionado para fazer o 11º Curso Desenvolvimento Humano para Jornalistas promovido online pela Abraji. Espero trazer alguns dos debates para cá.

Enquanto vou me atualizando, deixo aqui uma dica que veio por e-mail da minha colega jornalista Emídia Felipe, repórter de Economia da Tribuna do Norte e responsável pelo blog Mercado.com. Trata-se do blog O Xis da Questão, do professor Manuel Carlos Chaparro, doutor em Ciências da Comunicação e professor de Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo. O projeto também traz verdadeiras aulas de jornalismo que, com mais calma, vou poder acompanhar. Abaixo, um dos vídeo-aulas do professor Chaparro sobre a pauta.




Sobre o blog

Se jornalismo é a arte de “contar histórias”, esse blog quer contar as “histórias por trás das histórias” que saem nas páginas do jornal. Produzir notícias não é um processo fácil. Porém, é uma atividade que pode ser mais do que divertida para quem é apaixonado pela profissão de repórter. Por isso, este é um espaço para “causos”, comentários de notícias e algumas questões sobre as transformações que o jornalismo passa. Embora o foco sejam os estudantes e os “focas”, o objetivo é muito mais debater e trocar idéias do que ensinar.

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