Arquivo para a categoria 'Apuração'

15
set
10

Vários caminhos…

Repórteres precisam ser figuras naturalmente inquietas. Não dá para ficar parado. Um colega de redação diz que lugar de repórter é na rua. E não está exagerando nem um pouquinho. Quem apura um assunto não pode ficar parado, sentado em uma giratória desconfortável, só pesquisando no Dr. Google ou fazendo ligações. Claro, esse trabalho de “investigação” inicial é totalmente necessário. Mas está longe de ser nele que um verdadeiro jornalista vai descobrir os fatos mais importantes que vão compor o lead de uma matéria.

Não dá para seguir por um só caminho. É preciso ter “faro”, pensar em várias possibilidades e não se deixar enganar pela primeira novidade que surge. Não entendo como alguns colegas se limitam a não buscar os vários lados de uma história, a não ir a fundo nos assuntos e, principalmente, param diante do primeiro obstáculo: um celular que não atende, uma fonte indisponível, a internet fora do ar. Fazendo corpo mole, é fácil dizer para o editor: “a pauta caiu”.

09
mai
10

Ao telefone…

Semana passada – mesmo editando – ganhei a missão de fazer um material especial para ser publicado no domingo. E acabei passando por um momento surreal, digno de todos os repórteres que dependem de assessoria…

Precisava de um advogado tributário ou trabalhista para entrevistar sobre o fator previdenciário. Depois de mandar e-mails e ligar para algumas assessorias de imprensa da “Terra da Garoa”, consegui um advogado para conceder entrevista.  A assessora prometeu 40 minutos; ligou em 1 hora.

Nesse tempo, com a pressa natural de todo repórter de jornal diário, eu já tinha conseguido outra advogada para falar. Até a entrevista estava feita.  Mesmo assim, aceitei a segunda fonte (quanto mais informação melhor, mesmo que se faça as mesmas perguntas) e a assessoria me disse que ele poderia atender imediatamente. Com a velocidade de quem tem medo de perder a única chance de falar com Lula, liguei rápido para o primeiro número: só chamou… Parti para o segundo: atendeu uma outra “assessora” que me alugou um tempão falando do trabalho deles, perguntando de onde eu era, qual era o nome, qual era o e-mail, qual era o telefone, quando a matéria ia sair, se podia mandar releases, etc.

Finalmente: “Um minuto (bem longo, ela esqueceu de dizer), por favor, que vou passar para ele”. Enquanto espero, escuto ela dizer para uma pessoa que estava passando na sala que é uma “entrevista de última hora”. Como assim, Bial? Depois de 5 minutos já com o braço doendo antes de ter começado a entrevista e ouvindo ruídos ensurdecedores (acho que ficaram roçando o gancho do fone na mesa), o advogado atendeu com uma resposta antes da pergunta. E para dizer o que nenhum repórter quer: “Há que bom que você ligou, eu escrevi um artigo ótimo sobre isso…” e continuou com um enorme discurso político.

O tempo para mandar o texto que já está pronto? Pelo menos umas duas horas… E, infelizmente, não usei nada.




Sobre o blog

Se jornalismo é a arte de “contar histórias”, esse blog quer contar as “histórias por trás das histórias” que saem nas páginas do jornal. Produzir notícias não é um processo fácil. Porém, é uma atividade que pode ser mais do que divertida para quem é apaixonado pela profissão de repórter. Por isso, este é um espaço para “causos”, comentários de notícias e algumas questões sobre as transformações que o jornalismo passa. Embora o foco sejam os estudantes e os “focas”, o objetivo é muito mais debater e trocar idéias do que ensinar.

Passarinho


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.