Há poucas horas passei por uma situação que me lembrou um pouco um post que a jornalista Ana Estela de Sousa Pinto colocou há pouco tempo no blog Novo em Folha falando sobre o direito que qualquer repórter tem de não saber de tudo, mas da necessidade de nos inteiramos um pouco sobre aquilo que estamos perguntando.
Fui às ruas – coisas que repórter de Economia de jornal pequeno quase não faz – para ver a movimentação do comércio nas últimas horas antes da “virada”. Em um dos shoppings da cidade, resolvi entrar em uma das mais famosas lojas de bebidas importadas e finas da capital para saber como estavam às vendas. Os vendedores estavam enlouquecidos e nada receptivos. Quando entrei na loja, me apresentei a um deles e expliquei: “Estou fazendo uma matéria sobre as vendas e queria falar com a gerente sobre a venda de bebidas com champanhe, vinhos e sidra”. Qual não foi minha surpresa ao ver o vendedor dar uma gargalhada e dizer em tom de deboche: “Sidra? A gente não vende sidra aqui, não!”.
Como este repórter tem um pavio curto por natureza, soltei: “Desculpa! Sou pobre, não tomo champanhe! Comemoro o ano novo com sidra, mesmo!”. O vendedor ficou sem graça, se retirou e foi chamar a gerente que informou estar muito ocupada. Uma outra vendedora veio e se dispôs a atender a equipe, mas ficou agindo como quem trata alguém pouco importante. Fiquei chateado com aquela postura, agradeci a atenção e fui embora (nesse caso, a informação não era relevante porque eu já tinha pego dados sobre bebidas com os supermercados). Resultado: não citei nada da loja na matéria. Mesmo assim fiquei pensando: será que eu era obrigado a entender de vinhos em uma matéria comum do dia-a-dia?
2008 terminou e deixou suas lições. Não posso dizer que foi um ano maravilhoso para mim. Perdi muitas coisas importantes que jamais serão recuperadas. Por outro lado, não vou afirmar que foi um ano péssimo. As quedas me ensinaram a superar alguns obstáculos, crescer, ser mais forte.
