Hoje aprendi um pouco mais sobre a necessidade de ser firme com a equipe que sai com você (fotógrafo e motorista). Não chega a ser uma regra, mas o repórter é meio que “chefe” do grupo que vai para a rua. É ele que – depois das orientações do chefe de reportagem – está responsável por decidir se o carro deve ir primeiro para um lugar ou outro, se uma foto é necessária ou não. Mas, pessoalmente, gosto de fazer as coisas em comum acordo, perguntar se o fotógrafo e motorista concordam.
Só que hoje tive que tomar uma decisão unilateral para não perder uma informação importante. Sendo sábado, a equipe está de plantão e eu estava com a ronda policial. Logo que saí de casa soube de uma tentativa de fuga na Delegacia de Plantão da Zona Sul* e, ao chegar na redação, apurei que também houve uma tentativa em uma carceragem provisória vizinha ao jornal e uma confusão no centro para adolescentes infratores. O problema deste segundo ponto é que eu não sabia exatamente onde ficava e o motorista também não sabia ao certo.
Me confiei no fotógrafo – que é extremamente experiente e competente -, mas não contava que ele ficaria fazendo corpo mole. O motorista foi duas vezes a lugares errados (onde pensávamos que fosse o centro de adolescentes) para só então o fotógrafo dizer que sabia onde era. Quando chegamos, os funcionários informaram que a confusão não tinha sido ali. Mas que havia a possibilidade de ser em outra unidade (já tínhamos inclusive passado por uma delas sem descer do carro).
Quando entramos no carro, o fotógrafo disse: “aqui não tem nada, então vamos embora para o jornal”. E aí eu tive que dizer: “de jeito nenhum! preciso ir lá e conferir se não houve nada mesmo”. Cara feia foi o que não faltou. Quando chegamos, provei que estava certo. Apesar dos funcionários não quererem falar, um deles foi soltando logo que tinham queimado um colchão à noite. Percebeu a besteira que fez e não quis falar mais. Para o repórter atento, porém foi o princípio da matéria.
Já havia cometido dois erros. O primeiro é que eu deveria ter sido claro com o motorista e perguntado se ele sabia, com certeza, onde ficava o lugar. Por isso, perdemos tempo. O segundo foi confiar somente no fotógrafo que, com preguiça, não queria fazer nem o trabalho dele, quanto mais o meu. Neste caso, deveria ter ligado para a redação para me orientar sobre onde seria o local exato. Quando bati o pé para ir no lugar certo conferir, cumpri minha missão de repórter (e naturalmente curioso): ir ver de perto o que me contaram.
* Esse post está enorme, mas vale o comentário. Sempre faço ronda nos plantões de sábado e gosto muito. A Delegacia de Plantão da Zona Sul fica a cerca de duas quadras do meu apartamento. Então, sempre saio de casa mais cedo para apurar a informação mais quente, porque se deixar para ligar da redação a equipe de plantão já saiu e a que fica não sabe falar nada. Não faço isso só pelo jornal, se você perguntar. É minha necessidade de repórter, meu esforço pessoal para fazer um bom trabalho. Se não faço, sinto que deixei o trabalho incompleto.
