Arquivo para Outubro, 2008

31
Out
08

…direto do “túnel do tempo”

Eu me lembro da data? Não. Acho que foi por volta de 2003… Só lembro que eu ainda não sabia nem perguntar, mas já tinha uma certeza: queria ser repórter. Na época, eu participava da produção do programa Xeque-Mate, um “bate-bola” promovido pela TV Universitária entre estudantes de jornalismo e personalidades da cidade, coordenado pelo professor Emanoel Barreto.

O “flagrante” em questão é do repórter-fotográfico João Maria Alves, da Tribuna do Norte, e registra um momento histórico: naquela noite estávamos entrevistando Aluízio Alves – jornalista, advogado e político potiguar – que tinha tanta história para contar que precisamos fazer dois programas com ele. A segunda edição não estava programada. O problema é que a repercussão foi tão boa já durante a apresentação (tinha telespectadores ligando!!!) que tivemos que dar continuidade à entrevista na semana seguinte.

A foto traz outras figuras jornalísticas daqui. As duas mais conhecidas do público (porque “brilham” na telinha) são Diana Barreto, da Inter TV Cabugi (a terceira, da esquerda para direita, na fila mais alta) e Murilo Meireles, da TV Tropical (primeiro, da esquerda para direita, na segunda fileira). Destaco também outros nomes como Joyce Lessa (ao lado de Diana), Mara Medeiros e Karina Moraes (na primeira fila de preto e azul, respectivamente) que estudavam comigo.

O registro me fez lembrar de um outro que vou tentar recuperar. Alguns meses depois de participar do Xeque-Mate, comecei a estagiar no Diário de Natal. Lá, tive a oportunidade de entrevistar novamente Aluízio Alves (desta vez sozinho e como repórter). Infelizmente, não consegui encontrar a foto nos meus arquivos. Se conseguir encontrá-la, postarei por aqui também. Acho que essas experiências – por mais bobas que possam parecer – nos fazem lembrar que um dia a gente começa muito “verdinho” mesmo (usava até gel e “chuca”. Que vergonha!!!) até que uma hora aprende.

30
Out
08

venenoso, eu?!

Quando estava no 4º período do curso de Comunicação Social, não via a hora de por os pés em uma redação e colocar as mãos na massa. A oportunidade surgiu para um período de experiência em uma emissora de TV local, na pauta. Mas como aprender o que é jornalismo de verdade em um lugar onde todo mundo está correndo contra o tempo, não existe um “coordenador” para os estagiários e a única função delegada a você é atender telefones e marcar entrevistas (o trabalho chato que ninguém queria fazer)? Já deu para entender que lá eu não aprendi nada.

Aliás, talvez tenha aprendido. Depois de duas semanas, sem conseguir desenvolver nenhum trabalho, sem saber como funcionava aquela engrenagem louca de pessoas falando alto, telefones tocando e televisão ligada sempre no volume máximo, fui mandado embora. O “chefe” do setor me chamou e me disse que não tinham percebido em mim o perfil que eles procuravam. “Ainda falta em você o ‘veneno’ (foi essa expressão mesmo!) que é preciso a um jornalista…”

Bom, não entendi até hoje que veneno é esse. Entretanto sei que, depois de cinco anos trabalhando com jornalismo, eu mudei. Não sei se sou mais ou menos “venenoso” do que antes. Mas com certeza desenvolvi raciocínio rápido, capacidade de “ler nas entrelinhas” e olhar com um pouco mais de malícia as coisas da vida.

Fica então a pergunta: que características (mais precisamente qualidades) alguém precisa ter para ser um bom jornalista?

29
Out
08

clique, imprima… e guarde!

A jornalista Ana Estela de Sousa Pinto publicou hoje no blog Novo em Folha - do programa de treinamento da Folha de S. Paulo – um link para a terceira edição do guia “Por Dentro do Ministério Público Federal”. O material é bastante interessante porque explica um pouco do funcionamento de uma instituição que, vira-e-mexe, nós repórteres somos obrigados a procurar como fonte. Para quem estiver interessado, também estou colocando o link aqui no blog para baixar.

Aproveitando a onda de coisas interessantes para os jornalistas, disponibilizo outros textos interessantes e gratuitos que estão no site da Fenaj. O primeiro é o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros instrumento fundamental para um profissional que se preze. O outro trata de um debate bem atual: a obrigatoriedade do diploma. É o livro Formação Superior em Jornalismo – uma exigência que interessa à sociedade (140 páginas).

Fiquem à vontade para clicar, imprimir e guardar! Aliás, aceito sugestões de outros produtos jornalísticos interessantes e de distribuição gratuita on-line.

28
Out
08

Transformando “feijão com arroz” em “baião de dois”

Não são só as editorias de cidades – que tratam dos assuntos locais, do cotidiano urbano – que sofrem com a “mesmice” de algumas pautas. Como repórter de Economia, pelo menos uma vez por mês convivo com algumas pautas “comuns”. A cesta básica é clássica. Aqui no Rio Grande do Norte, convivemos com pelo menos duas pesquisas principais: a do Procon Municipal e a do Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Economicos (Dieese). Independente de qual seja a fonte para a matéria é sempre um nó tentar dar leveza a um monte de números associados a itens que vão de gêneros alimentícios a produtos de limpeza.

O problema é que, por mais que tente, a matéria acaba sendo sempre igual e pouco atrativa para quem realmente deveria interessar: a dona-de-casa comum, aquela que pesquisa e anda nos supermercados e feiras em busca do melhor preço. Com certeza, essa personagem comum esquecida pelas pautas de economia quer muito saber quanto sua lista de compras vai pesar a mais (ou a menos) no orçamento familiar.

Uma parte da minha dificuldade eu já consegui resolver. Sempre destaco, ao invés da porcentagem de variação da cesta, quanto em reais (R$) ela aumentou ou diminuiu. Acho que isso ajudou a tornar o texto mais popular. E você? O que faz para tentar fugir do “mais do mesmo” nas pautas comuns que aparecem sazonalmente?

25
Out
08

A “feiúra” alheia

Dei boas risadas lendo ontem o Diário do Tempo, do jornalista (e meu amigo) Sérgio Vilar. O motivo foi a reprodução de um trecho da entrevista que o senador potiguar e atual presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, concedeu à revista Rolling Stone brasileira. Pesquei o trecho que achei mais interessante:

Quando recebeu a Rolling Stone para um café-da-manhã na casa oficial da presidência do Senado, na Península dos Ministros, em Brasília, parecia cansado e acanhado. Era uma quarta-feira, 8h30. Cansado ele estava mesmo, porque tenta, desde agosto, conciliar a campanha eleitoral no interior do Rio Grande do Norte (seu estado) com suas obrigações protocolares de presidente. Lá, no Norte, chega a percorrer 4 mil quilômetros por fim de semana. Está mais magro. E bronzeado. Anda acanhado porque dias antes tinha dado uma entrevista e não gostou do que leu depois. Não gostou por quê, presidente? “Ah, ficaram dizendo que eu era feio, dentuço, não sei o quê.” Garibaldi é realmente dentuço. Porém, quando ri, com aqueles dentões brancos, alinhados um pouco para a frente, contagia os demais.

Penso em escrever sobre ele sem tocar no assunto da feiúra. Mas o próprio, no segundo seguinte a confessar o incômodo com a crítica, relembra a adolescência e dispara: “Eu era bem feio mesmo. Galã era o Henrique”. O Henrique em questão é Henrique Eduardo Alves, deputado pelo Rio Grande do Norte, primo de Garibaldi e líder do PMDB na Câmara. Contam os dois que, nos tempos de calças curtas, foram juntos a um baile…

Bom, meu xará-poeta dizia que “beleza é fundamental”. Mas, antes dele, a sabedoria popular já era clara: “quem ama o feio, bonito lhe parece”. Ou seja, entrar no campo da aparência me parece arriscado. Na minha opinião, a Rolling Stone acertou a mão ao falar da “feiúra” do nosso político: o tom é bem-humorado. O que vocês acham: é possível (e válido) comentar a aparência de uma pessoa em um texto jornalístico, sem ser ofensivo?
24
Out
08

Sobre os jornalistas…

Jornalistas são figuras estranhas. Amados por uns, odiados pela maioria, temidos por todos. Já notou como todo mundo muda de cara se você chegar e disser: “oi, sou repórter de tal jornal”?. Mas a gente não assusta só por causa de um crachá, um microfone, um bloquinho, uma pauta na mão e muitas perguntas na nossa língua ferina.

Falamos pelos cotovelos e mudamos de assunto a cada tomada de fôlego: em um segundo, passamos de discussões sobre a literatura contemporânea tchecoslovaca para a putaria mais baixa que você já viu… E nesse ponto, somos caminhões sem freio em uma ladeira cheia de lombadas. Quando você pensa que poderia ser pior, a gente te surpreende.

Detestamos ser contrariados e jamais queremos ser corrigidos mesmo sabendo que temos que reconhecer nossos erros. Gostamos de observar as reações das pessoas e “ler nas entrelinhas”. Descobrimos tudo que queremos, mesmo que isso leve tempo. E não adianta colocar obstáculos. Somos como a Petrobras: o desafio é a nossa energia.

Cuidado! Andamos em bandos e somos extremamente seletivos. Quem se mete em nossas panelas, não sabe com que está lidando… E ainda somos ciumentos: gostamos de toda a atenção para nós.

Mas, calma! Não somos tão ruins. Somos lindos, cheirosos, gostosos e, muitas vezes, modestos! Para aprender a usar o produto com segurança, leia manuais de redação e comente as nossas matérias. A gente adora ser elogiado…

23
Out
08

Primeiras palavras

Quem já leu Noblat ou Kotscho, sabe que os “Ricardos” sabem como empolgar qualquer repórter em início de carreira quando falam de jornalismo. Sou ídolo da forma de escrever dos dois e também das fantásticas histórias de repórteres que ambos vivenciaram. Claro que espero, um dia, chegar perto de ser ao menos um terço do que eles são hoje (muita história boa para contar e uma posição privilegiada em alguns dos principais veículos de comunicação do país). Mas neste blog não tenho intenção nenhuma de ser nenhum deles. Até porque, com apenas cinco anos e quatro meses de redação, não tenho “cacife” para ensinar ninguém a ser repórter. Porém, gosto de conversar com meus colegas e debater qual a melhor forma de agir em determinada situação. Quero que este seja um espaço de troca de experiências. Um lugar onde posso falar um pouco do que aprendi (e ainda aprendo) e discutir junto com outros “focas” o que é fazer jornalismo hoje. Para isso, a contribuição dos leitores é importante. Então, comentem!!!!




Sobre o blog

Se jornalismo é a arte de “contar histórias”, esse blog quer contar as “histórias por trás das histórias” que saem nas páginas do jornal. Produzir notícias não é um processo fácil. Porém, é uma atividade que pode ser mais do que divertida para quem é apaixonado pela profissão de repórter. Por isso, este é um espaço para “causos”, comentários de notícias e algumas questões sobre as transformações que o jornalismo passa. Embora o foco sejam os estudantes e os “focas”, o objetivo é muito mais debater e trocar idéias do que ensinar.

Passarinho